quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

A sucata


O Supremo Tribunal de Justiça acaba de declarar nula a transcrição de uma conversa telefónica entre Armando Vara, arguido do processo Face Oculta, e o primeiro-ministro, José Sócrates, por considerar que a gravação da mesma necessitava de autorização deste tribunal superior. A decisão baseia-se numa disposição da lei processual penal, segundo a qual o PM, à semelhança do PR e do Presid. da A.R., responde perante o Supremo. Neste caso, o STJ considerou que a recolha de meios de prova está incluída nessa prerrogativa. A lei é estúpida? É! Não deveria ser um obstáculo à celeridade de uma investigação desta envergadura? Sim! Mas a prudência não aconselharia, ao invés, que Noronha do Nascimento ratificasse a transcrição? Tanto mais que se está em pleno período eleitoral naquele órgão e as suas recentes declarações sobre investigação criminal só nesse âmbito podem ser entendidas...
Ora, as notícias dão conta de que Sócrates, nessa conversa com Armando Vara, averiguou soluções para o "amigo Joaquim", proprietário de um conhecido grupo de comunicação social muito "amigo" do PS e do Governo. Não se sabe em que ponto entraria o sucateiro Godinho nessas soluções. O mesmo que parece pairar por cima de todos os negócios que envolvem empresas públicas, qual Quasimodo incinerador, o gajo do trabalho sujo, o one man show sempre à disposição no quintal das traseiras do regime.

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quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

O Hino



Melhor só mesmo o memorável Live Aid. Ou o Natal dos Hospitais, mas sem esferográficas, envelopes e sem o bambolear "aqui e ali". Mais palavras para quê?

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terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Stalker

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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

A queda do Murro

Marx disse que o capitalista não trabalha para aquecer, nem por caridade, e que o Capitalismo não recua perante nenhum crime. Mas foi Max Weber que encontrou, no espírito protestante, as raízes desta ganância. Com Marx e com Max, o Mundo ficou Maxi, escuro, frio e ardente. Depois, veio o Comunismo e, porque alguns estavam perdidos ou agarrados a ilusões antigas, tiveram de morrer para escolher o seu campo. Milhões de Homens e Mulheres foram desafiados por um anjo de fogo a escolherem metade de uma coisa que não podia ficar por dividir. E comportaram-se como náufragos no Mar, como se o chão se tivesse liquefeito sob os pés e como se perdessem de repente a memória. O mundo a que chegámos, na Europa e outras zonas onde chegou a civilização moderna, da fornicação e da invenção, foi, portanto, produzido pela violência, pelo massacre, pela fossa comum e pela câmara de gás. Não me considerem pessimista. O mundo de Marx, que era, como todos os mundos antes dele, também negro, foi iluminado como uma noite incendiária, de Nero. Por trás dos amanhãs que cantam, os hoje foram insuportáveis. Todos os sacrifícios e todas as infâmias foram exigidas. Restou alguma coisa? Até os índios do Brasil, Lévy-Strauss descreveu como vivendo numa imensa ternura e liberdade, mas exprimindo uma «alegria animal». Penso que Lévy-Strauss se calou, porque percebeu que tudo o que dissesse, só faria pior. Quem dá o nome a uma nuvem, obriga a que ela se desfaça em chuva, ou então a nuvem obscurecerá o resto do dia. E caiu o Muro de Berlim. Durante algum tempo, os obcecados da luta ardente notaram os outros muros que se levantavam, como o da Cisjordânia, o recuo do muro para Leste, a fronteira sul dos Estados Unidos, a muralha do Mediterrâneo. Mas nem isso rendeu. De repente a Europa passou a ser toda festiva, a comemorar em cada esquina com efemérides como o calendário da Revolução Francesa. Liberdade…e a liberdade fez-se obra, nas mesquitas a abarrotar de gente, nos marines americanos violando uma adolescente iraquiana ou matando um irregular que se fazia de morto no chão, perante a Televisão. Igualdade…nas contas, nos cartões de crédito, nos telefones e nas redes todas escutadas, nas ascensões vertiginosas e nas quedas obscuras. Fraternidade…nas famílias desfeitas, nos sexos pulverizados, nos irmãos mordendo-se como lobos, nas solidões provisórias sustentadas a cirurgia estética e terminadas em morte assistida. Alguém desfez o mito de que a muralha da China, a qual não excede cinco metros de espessura, se via do Espaço. Mas descobriu-se, depois, que era um terço mais comprida do que se julgava. Como uma serpente, a História infame foi rodeada pela cobra, sábia, sobrevivente, venenosa, de olhos de diamante. O Muro de Berlim caiu, deixando entrar os bárbaros meio ébrios, já sem a força de a arrebentar e deram-se todos no pátio de um campo de prisioneiros a que chamaram Liberdade. Como o comunismo, que era apenas um véu sobre a mesma sociedade industrial. De repente, acordámos todos numa fábrica durante uma festa de Natal da empresa. Tínhamos todos sido gaseados devagarinho, durante uma época inteira. E ficámos todos a mais, todos precários e a prazo, presos no recinto da Europa. Como é falsa a ilusão da liberdade em que um dos maiores sábios do Ocidente diz que os índios, civilização perdida dos grandes massacres e fossas comuns, têm uma «satisfação animal». Felizmente que se calou, com as suas euforias de animal. Percebeu que o último Direito Humano é um Dever: o enorme silêncio.

André

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Sarebbe bello vivere una favola - 14

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Goodbye Lénine

Repare-se nesta pérola da saudosa esquerda dos idos de setenta: "nos 27 anos em que se manteve o muro em Berlim houve 79 mortes das quais foi dada informação uma após outra até à saciedade: eram "vítimas do comunismo". Entre 1989 e 2007 foram mortos, que se saiba, 15.000 imigrantes ao enfrentarem as fronteiras europeias" (in Muros ruidosos, Muros silenciosos).
Apesar de o comunismo ter falido em toda a linha e de ter chegado a hora das utopias pré marxistas (as únicas em que vale a pena investir), apesar das evidências do colapso da luta "anti acapitalista", há quem ainda persista na cegueira. Ora, no exemplo citado, as "detestáveis" fronteiras europeias são comparadas ao muro erigido pelos carcereiros comunistas da RDA. E os fugitivos africanos são comparados a cidadãos de uma mesma nação, que tiveram o azar de ficar do lado errado e que só desejaram reconquistar a liberdade e a prosperidade. Anular as vítimas dos "outros" com as "nossas" é o expediente monstruoso que resta a uma esquerda ultra-complexada, que ainda desfia o catecismo marxista, sem dignidade e sem sombra de vergonha. Nesse acto de devoção aparecem outros "santos" como Frantz Fanon, teórico chic do "anti-colonialismo", muito na moda nos trabalhos académicos nos anos 70. Trocado por miúdos, mais uma fraude africana sub-gaulesa, alimentada pelos compagnons de route sartrianos e afins.

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Lido

«Sócrates transformou a política numa comédia de enganos, que já não engana ninguém; e que as circunstâncias não encorajam a credulidade do cidadão comum. Ainda por cima, não existe maneira de atribuir a longa estagnação da economia portuguesa, o défice do Estado, a dívida externa e o afastamento da "Europa" ao carácter depressivo e malévolo de uns tantos "descontentes". No Restelo, estão agora economistas com números e bastam esses números para justificar as profecias mais lúgubres. Parece que, afinal, os pessimistas tinham razão. Numa semana (e falta ouvir Medina Carreira), Silva Lopes, Ernâni Lopes, Campos e Cunha e Bagão Félix mostraram bem como o desânimo se tornou irreversível. Ernâni Lopes resumiu o sentimento geral. "Esta década", disse ele, "é uma década sem garra, sem ideias, sem verdade, sem força, sem lucidez, sem substância... (É) uma década de incapacidade na visão estratégica e de fantasia na leitura da realidade económico-financeira... (É uma década de um) permanente esforço exibicionista sem conteúdo e uma expressão sem nobreza... Nunca vi nada assim." Convém lembrar que, nesta década (de facto, quase década e meia), governaram Portugal Guterres, Barroso, Santana e Sócrates. No total, 11 anos de PS, três de PSD. E Sócrates continua.»

Vasco Pulido Valente, no "Público" de 6/11

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sábado, 7 de Novembro de 2009

O Trabant do gajo

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Lido

"(...) também sou tremedista, irreparavelmente lúcido; logo, incurável pessimista. Vi de tudo ao longo da vida, engoli seco os maiores insultos, assisti às mais reles manifestações de que a mediocridade despeitada se serve, tive de obedecer aos mais refinados poltrões e fingir que me enganava ao tomar essas árvores pela floresta. Essa foi a sina da minha geração, apanhada entre uma geração que tudo quis destruir para enriquecer e outra que, privada de todas as referências, pratica inocentemente crimes e se vangloria por coisas que não merecem um palito. Lembro-me do tempo em havia futuro e se pensava que à noite se seguia o dia, que uma inteligência oculta e justiceira se encarregaria de dar sentido ao tempo, premiar o valor e condenar e maldade. Tudo isso desapareceu. Ficámos, eu e a minha geração, agarrados a teorias sem ponto de aplicação, à ideia de um Portugal com glória e luz de que todos, afinal, se riem, a um comedimento inibidor - chamar-lhe-ia uma discreta elegância - que a geração que nos precedeu tomou por cobardia e que a geração que nos sucedeu interpreta como quixotismo."

"A minha geração, que não deu em nada", no "Combustões"

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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Sem espinhas


"... Benfica’s near-total domination of Everton two weeks ago was no fluke. They boast Europe’s most fearsome attack and, even without their creator-in-chief, Pablo Aimar, they have an arsenal that would trouble any team in any competition."
no Daily Telegraph

"Everton 0 Benfica 2: Javier Saviola and Oscar Cardozo silence Goodison Park"
título do Daily Mail

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Os intocáveis

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (...)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

Mário Crespo, no JN de 2.11

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Foi há 20 anos...

Cartier-Bresson, "O Muro de Berlim", 1963

As efemérides, embora sejam associadas à evocação cerimonial de um acontecimento passado, também designam tábuas astronómicas que indicam, dia a dia, a posição dos planetas no zodíaco. Confuso? Não. Há casos onde aquilo que não se pode mudar co-habita na mesma palavra com o que muda permanentemente. Como aqui. Onde uma palavra raramente tenha um sentido tão abrangente como quando se aplica aos acontecimentos que levaram à queda do Muro de Berlim. Nessa noite de 8 para 9 de Dezembro de 1989, encontrava-me em Estrasburgo. De visita ao Parlamento Europeu, na qualidade de dirigente estudantil. Soube o que se estava a passar através da TV. Percebi imediatamente que o "socialismo real" tinha perdido a guerra e que a Europa voltaria a ser uma unidade política. Acabei agora de assistir a um excelente documentário na RTP 2 sobre a história do Muro. Duas imagens a reter: 1º o efeito em cadeia da visita de Gorbatchev à RDA, convidado de honra do 40º aniversário da fundação do país. Porém, na tribuna era aplaudido por dezenas de milhar de manifestantes, que desfilavam e gritavam por Gorbi, ignorando os dirigentes comunistas alemães. 2º o discurso de Honnecker, nessas cerimónias oficiais, num edifício rodeado por uma maré humana que clamava por liberdade, mas onde aquele afirmava convictamente que "o socialismo na pátria de Marx e Engels estava assente em bases indestrutíveis"... Ocorreu-me também que, daqui a dez anos, o então secretário geral do PCP prestar-se-á de bom grado ao mesmo papel, no seu bunker, rodeado por meia dúzia de indefectíveis...

Nota: Ler aqui outras memórias do Muro, de João Tunes.

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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

A idade dos porquês - 5

Porque é que muitos activistas ambientalistas ainda funcionam numa lógica de amiguismo restrito, a preto e branco, sem nunca lhes passar pela cabeça agradecer a sua existência e relevo mediático precisamente aos agressores do ambiente? Não faz muito mais sentido encarar as duas faces de uma mesma realidade?

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Brumário

De 22 de Out a 20 de Nov.

Tem aqui início a edição das doze imagens alusivas ao meses do calendário republicano francês. As quais serão editadas durante os períodos temporais a que dizem respeito. Para mais informações, aceder aqui.

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Soltas

1. A GlaxoSmithKline, empresa que forneceu as milhões de vacinas contra a gripe A (H1N1) que o Estado português acaba de adquirir, não dorme em serviço. Cada embalagem contem 10 doses. Logo que aberta, essas unidades têm que ser ministradas na totalidade e num curto espaço de tempo, pois não há forma de serem conservadas. Imagina-se o desperdício que isto não vai causar, Já para não falar nos possíveis efeitos secundários, ainda não desmentidos de forma cabal pela comunidade científica. E sobre os quais aqui me debrucei. Entretanto, a comunicação social lá vai fazendo pela vida, criando um clima pré-apocalíptico na melhor tradição milenarista.
2. Os eleitores do Estado do Maine, nos EUA, acabam de chumbar uma proposta legislativa que permitiria o casamento entre pessoas do mesmo género. Tornando-se assim o 31º onde propostas semelhantes foram rejeitadas por consulta popular. Recorde-se, ainda assim, que este Estado é conhecido pelas suas tradições liberais. E que agora revelou um grande bom senso, apesar de uma forte campanha dos lobbies do "sim". Eis uma demonstração simples e clara de soberania popular. Que os nossos esquerdistas iluminados têm enorme dificuldade em aceitar. No entanto, sabe-se que o casamento homossexual está entre as prioridades deste Governo. Apesar de termos sido ultrapassados pela Eslováquia no ranking da UE, da corrupção galopante e de o desemprego aumentar assustadoramente. Portanto, adivinha-se uma votação à socapa na AR, com os deputados da esquerda de polegar para cima e muitos comunistas, ao arrepio da viril tradição estalinista, sentindo que estão a engolir um sapo vivo. Para satisfação da restauração dedicada ao segmento "festas, casamentos e baptizados". Mesmo assim, para mim o assunto tem um interesse limitado. Seria muito mais interessante discutir o casamento poligâmico (o que faz todo o sentido num país com um território em grande parte islamizado durante 400 anos e que resolveria a célebre equação binária do cantor Marco Paulo), ou a produção, venda e consumo de drogas leves, sem restrições. Neste caso último caso, prometo que estaria na linha da frente.

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Playlist da casa (20)


Gravação original: 1964 - Clip no Youtube - Apresentação - Na Amazon


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terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Stalker

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O Tambor

O mundo ia ficar perigoso. E ficou. Obrigado Adriano Moreira por teres sobrevivido a Revolução. Guido Westerwelle é homossexual. Não te agradeço por seres Ministro, nem da Alemanha, nem de lado nenhum. O povo irlandês votou não a uma União Europeia assustadora. E depois votou a favor. Já não sou irlandês. A república checa votou uma União Europeia assustadora. Apenas salvaguardando não ter que pagar aos alemães que foram expulsos. Obama conseguiu sobreviver à crise económica mas o Serviço Nacional de Saúde não passa. Vá lá. Conseguimos ter um Presidente negro no país mais poderoso da terra. Só isso. Não chegámos a acordo sobre o Clima, em Copenhaga. Não faz mal, os velhos feiticeiros continuarão a mandar chover e nós teremos que tremer de cada vez que embarcarmos num avião porque teremos que ganhar o pão muito longe. O Saramago chama «filho da p…» a Deus, o Deus que alguns doentes terminais invocam para minorar a dor, o mesmo Deus que outros invocam para sonharem pela quinquagésima vez que poderão ser felizes ou, ao menos, ter alguma paz. E uma sala acolheu-o em pé, sonhando o seu sonho pérfido de que, se ele não pode ser Presidente da República, pode partir o palco antes de sair. A Dra. Laura Santos, ilustre sabichona, diz-nos que a «Vida é biográfica», já não é biológica. Na Suíça, o Governo federal vai parar com o Turismo da Morte assistida que organiza viagens só de ida para 400 indivíduos por ano, ao país. Um pedófilo pede para que lhe removam os testículos num hospital. Sim. A vida nunca foi biológica. Tivemos que a defender de armas na mão. Tivemos que ser estudantes de teologia nas montanhas, arrancar balas a frio, ser psiquiatras de nós próprios porque, como diz um ditado do deserto: «os loucos viram o dedo de Deus».
Que restará deste mundo organizado em que as pessoas inventam a lenda do «Big Brother» e a executam como as crianças seguindo a flauta de Hamelin? Que restará deste Mundo, onde o Apocalipse dizia que «ninguém poderá vender nem comprar sem ter o número da besta inscrito na testa» e nós temos números impressos em todas as partes do corpo? A nossa sorte é tão irrisória como os milhões de anos inscritos nos esqueletos dos dinossauros que passearam por oceanos verdeazuis como imperadores sem lei.
Mas sigamos para as colinas. Nem que as colinas sejam os altos e baixos das nossas triplas personalidades, entre os ataques de febre das gripes que crescem nos matadouros, onde os bois gritam de terror, sem testemunhas, de madrugada, onde as porcas mordem a cerca com cio, antes de serem inseminadas artificialmente, sem calor, nem amor. Vamos para as colinas. Como Viriato, o sem-nome, o traído, como os bandidos dos pântanos da China medieval.
Uma Nação não é um Povo, nem um território. Uma Nação não é um Império, nem um Mar. Uma Nação é a floresta obscura do último reduto, onde o meu medo e o teu têm o direito de existir. Quem diria que a Coragem é o nome de baptismo do Medo?!
O Medo é o menino-tambor. Onde há coragem nas fileiras, sem o tambor?

André

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segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Camellia sinensis (4)

Estranha-se, à primeira vista. Todavia, trata-se simplesmente da minha mais recente descoberta no mundo do chá: um vulgar tipo verde compactado, em forma de noz, ornamentado com uma flor de amaranto. Não é o célebre "gunpowder", nem é tão forte, nem tão pequeno, só a densidade é semelhante. Para além de que este é prensado, em vez de enrolado. Pois bem, um minuto após se colocar cada bola em água quente, adquire a configuração da imagem...Neste caso, vale mais pelo efeito do que pelo sabor...

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O "novo" Público

A nova direcção do jornal "Público" entrou recentemente em funções. Trata-se de um título que se tornou, como é sabido, num bastião no jornalismo de referência que escapou à tabloidização. Razões que justificam uma atenção especial sobre essas alterações. Ora, o editorial de apresentação evidencia alguns pontos preocupantes: 1º Sinais inequívocos de uma ostracização do antigo director, José Manuel Fernandes, o que seria perfeitamente evitável; 2º Retorno a uma espécie de idade mítica do jornalismo, sem ideologia oficial, onde imperará, adivinha-se um frentismo politicamente correcto. No entanto, diz-se "Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos"! Afinal, nada que não se tenha visto antes... 3º Embora no capítulo da opinião se tenha assegurado, até ao momento, uma relativa pluralidade de pontos de vista, não é difícil vislumbrar que a redacção venha a assumir a postura de um "colectivo", extensivo à nova directora. O que levará a uma diluição das posições político-ideológicas e à responsabilidade solidária pelas mesmas. 4º Relacionado com o ponto anterior, adivinha-se a tendência para uma predominância de um certo tipo de jornalismo "em directo", ideologicamente motivado. Relembremos as inenarráveis reportagens de Alexandra Lucas Coelho no Médio Oriente. Onde a jornalista se revela como pouco menos do que provedora dos palestinianos radicais, pintando sistematicamente os israelitas como eternos perpetradores do mal.

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Resíduos não sólidos

Um pouco de Bíblia, retalhada, cosida e interpretada ao gosto popular, uma pitada de teoria da conspiração, mais a Inquisição, inveja a Roma, anti-papismo primário, insinuações pornográficas, umas manchas de incesto e parricídio, mais histórias de seminário e crimes do Padre Amaro e eis que temos sucesso editorial garantido, de Dan Brown a Saramago. A receita vence desde o século XVIII. As pessoas gostam do sórdido, escaldam de entusiasmo com grandes mentiras, inebriam-se com o apedrejamento de tudo quanto inspire ordem, hierarquia e autoridade.
Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar. (...) (que) vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.

no "Combustões"

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sábado, 31 de Outubro de 2009

A minha primeira cache


Parece coisa de escuteiros, mas não é. Acreditem que é mesmo divertido. Vão até á página do geocaching, ou aqui, em português, e percebam como o jogo funciona. Na Guarda e redondezas já há, pelo menos, oito "tesouros" à espera de serem "descobertos".

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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

A mochila do gajo, algures na Galiza

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quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

O crime do padre armado

Eis um dos melhores títulos que tenho lido para uma notícia. Ajustado que nem uma luva ao mediático pároco de Boticas. Um verdadeiro personagem camiliano perdido no Norte profundo, como convém. O mesmo que, conta-se, agrediu o sacristão com uma coronhada, durante um funeral, só porque aquele tocou o sino mais cedo. Não se sabe se a vítima ofereceu a outra face nem o que aconteceria se os sinos soassem mais tarde. Entretanto, apesar das evidências criminais contra o prelado e da hostilidade dos paroquianos, o Bispo de Vila Real pretende mantê-lo no cargo. Esperando talvez que descubram mais esqueletos no armário. Ou que uma intervenção divina o absolva...

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Como era aquela frase do G. B. Shaw?

O respeito pelos eleitores também se mede por coisas destas. Marcos Perestrello, o aparelhista chique do partido do governo, era há um ano vice-presidente da C.M.L, o primeiro depois de Costa. Há pouco mais de quinze dias protagonizou a candidatura do dito partido à câmara de Oeiras e foi eleito vereador. Agora é secretário de Estado da tropa ao lado do ministro S. Silva. A D. Dalila Araújo (quem?) era há um ano a governadora civil de Lisboa. Largou para ser candidata a vereadora de Costa e, como tal, foi eleita também há menos de quinze dias. É secretária de Estado de qualquer coisa. O sr. Vasco Franco, quase eterno vereador da habitação da C.M.L nos tempos de Sampaio e do Joãozinho, foi retirado ao jazigo de família para ser secretário de Estado de outra coisa qualquer. Regresso, pois, à frase inicial. Se calhar os eleitores - aqueles que votaram nisto - não merecem mais respeito do que este. Isto é, nenhum.

João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"

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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Cinema ambulatório


O principal objectivo ciclo “Curtas em Flagrante" é tornar possível a troca de experiências e dar oportunidades de divulgação dos trabalhos de tantos jovens, que estão agora a iniciar a sua carreira no mundo do audiovisual.
O Elemento Indesejado é uma associação cultural recente, cujos principais objectivos são a divulgação e formação cultural e artística. Até ao momento tem sido a área do audiovisual a que mais tem explorado. Com um workshop de vídeo, a decorrer no âmbito do F.A.T.A.L. - Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa - e responsável por toda a cobertura audiovisual do mesmo. Está também a organizar um conjunto de workshops na área das artes digitais, e funciona como um grupo de criação audiovisual com produção própria. Com este evento, pretende actuar como uma rampa de lançamento de novos artistas e divulgar a criação audiovisual que é feita no nosso país.

- Café Concerto do TMG, sexta-feira, pelas 23 00h

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O Google wave está quase a chegar. Entretanto...

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domingo, 25 de Outubro de 2009

Stalker

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O que virá a seguir?

Com o recém formado Governo, vai certamente acontecer o que muitos já avisaram. Vamos ter um gabinete remodelado, de contenção, mãos largas e marcadamente à esquerda. Que vai privilegiar os grande temas mediáticos, que seguramente mobilizam a opinião pública, mas cujo impacto real só se observa em pequenos sectores. Negligenciando as grandes reformas e as medidas cujo âmbito se mede em grandes sectores da economia, da administração, em grandes franjas populacionais, ou áreas profissionais. Como exemplo, veja-se só o que está para vir. Uma medida a "custo zero", que em nada vai contribuir para o combate à crise. E que, ao insuflar o Governo de um charme modernaço, vai retirar as "boas causas" ao Bloco. A meu ver, o assunto é delicado e justificava um referendo. Pois uma maioria política raramente coincide com uma maioria sociológica e cultural. Por outro lado, se o casamento entre homossexuais for consagrado na lei, valerá sobretudo como um sinal de dissuasão social. Seja como for, o sinal político foi dado.

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sábado, 24 de Outubro de 2009

Mas ainda dão corda à criatura?

Saramago, o antigo aparatchik, distinguido no capítulo dos saneamentos políticos no DN durante o Verão Quente de 75, anda a fazer pela vida. Desta vez, lançou uns mind games promocionais, assim mais teosóficos, acerca do Antigo Testamento. Logo transformados no centro do debate na esquálida "praça pública" da Nação. Afinal, o homem não disse mais do que outros já disseram sobre o tema. Só que se trata de um nobelizado, um intelectual "progressista", apreciado por muita gente com a escolaridade obrigatória. No entanto, Saramago é talvez o maior equívoco da literatura nacional do séc. XX. Escreve bem, o que é discutível, mas nunca foi um bom escritor. Vale mais uma só obra de José Cardoso Pires do que toda a sua litania prosélita, que alguns confundem com literatura. Como cidadão, a arrogância e o ressentimento social precedem-no à légua. Porém, a sua prestação mediática é-me absolutamente indiferente. Entretanto, a criatura lá vai parindo uns volumes, tentando imitar os sul americanos. Desta vez, para aumentar as vendas de "Caim", nada como uns bons soundbites, em registo agitprop. Um tique que lhe ficou dos tempos leninistas. Mas cuja eficácia, em termos de marketing, tem chegado e sobrado. Portanto, temos um escritor medíocre, esganiçando-se na tasca a dizer "mal da padralhada". Ou seja, um pregão tonitruante que anuncia os seus serviços... Esquecendo-se que barafustar "contra a padralhada" é uma espécie de socialismo para idiotas.

Publicado no jornal "O Interior"

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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Os 16 magníficos

Aí está o XVIII Governo. Ao que dizem, para durar dois anos. Os destaques vão naturalmente para a nova posição estratégica do veterano Vieira de Silva, a mais recente vocação do polivalente Santos Silva, factotum especializado na "malha" e agora com a pasta da Defesa, a equipa com o maior número de ministras desde sempre (5), o que é de saudar, sendo que uma delas, de apelido convenientemente ornitológico, está no Ambiente, Serrano na Agricultura, ao que parece entendido em subsídios, é claro, por sua vez Isabel Alçada vai tentar acalmar os professores, António Mendonça, um adepto do investimento público com o pelouro das obras respectivas, o eterno Gago, pois claro, e por último - surprise!!! - a novel e desconhecida ministra da Cultura, investigadora e também pianista, de quem se espera muito mais (o que significa quase nada) do que o anterior ministro.

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Toma lá mais cinco


They had started nervously, their every touch booed by Benfica’s ardent support, the stream of noise endless from the moment Vitoria, Benfica’s eagle, was released around the ground before kick-off for her traditional, ceremonial fly-past.- Europe’s most fearsome attack were not finished, though.- BENFICA AT LEAST HAD THE DECENCY TO TURN OFF THE TURBO.

Hoje, no "Daily Telegraph", a propósito do jogo

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O showbizz

O périplo desses prosélitos irlandeses que dão pelo nome de U2 está a originar fenómenos de devoção dignos de um estudioso das religiões. Concertos esgotados, fieis que se deslocam a pé quilómetros e quilómetros para adquirir os bilhetes, que esperam dias e dias por que as box office abram as portas, de modo a obterem o passaporte para o céu, num desafio anónimo digno de figurar no Guiness, embora mais genuíno, mais místico do que esperar à porta do centro de saúde pela senha da consulta, nem a propósito, a sanha musical, precisamente, fiéis que dão hossanas quando têm garantido o seu rectangoluzinho que dá acesso ao céu, devotos que espalham a boa nova pelos microfones solícitos dos jornalistas, quando lhes são estendidos, oficiantes que homiliam o gosto megafónico, que pastam na mediania, que são fenómeno só porque seguem as pisadas do espectáculo, o verdadeiro deus, a máquina trituradora, que são conversos antes da conversão, apóstatas antes e depois da apostasia, peregrinos em busca da santidade decibélica, vítimas sacrificiais de uma imolação sem vítimas e sem carrascos...

Publicado no jornal "O Interior"

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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Stalker

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Um frasquinho de memória

O livro chama-se "Os Bons Velhos Tempos da Prostituição em Portugal", (Antígona, 2006) de Alfredo Amorim Pessoa. Uma obra curiosa de que aqui dei notícia. No final (pág. 219), à laia de índice onomástico, vem elencado o léxico recolhido pelo autor e que no luso vernáculo designa o créme de la créme do tema. Deste modo, usando só os termos mais incomuns, para fornicar temos: afagar a palhinha, embutir, entamelar, chapar, dar uma espetadela, dar uma mocada, molhar o carocho, nicar, fazer tac-tac, penachar, pinar, lixar. Sinónimos de ir às putas: andar ao fanico, andar em manobras, andar às gatas, ir ao fado, ir a manos, ir para leste. Sinónimos de prostituta: cegonha, chantra, coirão, estardalho, fadista, faneca, franjosca, horizontal, lúmia, machorra, menesa, novata, ostra, pangaio, pataqueira, pépia, torga, tronga, vasvulho, vequeira, zoina. Outros termos: alcocheta, onze letras (alcoviteira), casa da tia, ilha dos amores, mangalaça, a da Joana (o mesmo que bordel), estar com avental de pau (expor-se à janela), sair a cavalo (contrair sífilis), frasco de memória (velha), iscada (puta com sífilis), marmita, mina, minestra (moça que é chulada), andarilho, pato (clente que paga bem), queijada (mesada que a puta dá ao chulo), gimbar (chular).

Publicado no jornal "O Interior"

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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Os baldes para o gajo recolher

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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Louçã, o eterno jovem que nasceu velho

O Bloco de Esquerda pode ter perdido as autárquicas mas Louçã ganhou no fim deste ciclo eleitoral. Ganhou porque ele, o trotsquista, enviou para Bruxelas Miguel Portas, ou seja o representante da linha estalinista-revisionista. Em Lisboa, o maoísta Luís Fazenda saiu derrotadíssimo. E Louçã é para todos os efeitos o homem que nas últimas legislativas levou o BE quase a terceira força política nacional. Louçã é uma das mais interessantes figuras do universo político português. Alguém que aqui aterrasse vindo doutro planeta e tendo em conta os estereótipos vigentes imediatamente ao vê-lo e ouvi-lo acreditaria que ele era um representante da direita ultramontana. Na verdade não se enganava a não ser no rótulo pois Louçã é um homem muito antigo. Aliás Louçã não só é o mais antigo líder em funções em Portugal como ainda usa uma linguagem que remete para outras eras: pluraliza o nome dos que diz ricos num tique desses tempos em que os empresários não eram propriamente indivíduos mas sim os Mellos e os Champallimauds, eternamente representados de cartola e atolados de vícios. O que é notável, e isso é claramente mérito de Louçã, é que apesar da sua longevidade política e do seu estilo ele aparece associado a uma alternativa tida como jovem. E ainda mais notável é que consegue que a vida interna do BE seja retratada na comunicação social com a bonomia de quem recorda os acampamento de juventude: ali não há crises nem tensões, muito menos lutas pelo poder. O PCP tem linhas, o PSD é todo ele um conflito, o PS apesar de estar no poder ainda vai tendo uns críticos e o PP vive daquela luta entre grupos. O BE pelo menos mediaticamente é uma união sagrada.
Louçã, o líder que nunca envelhece, deu estrutura política ao sonho de uma geração nascida no pós 25 de Abril que gostaria de viver o folclore de um PREC sem ter de pagar no seu conforto e garantismos as consequências disso. Mas o que cabe perguntar é se Louçã pode envelhecer pois por ironia esse imaginário dos votantes do BE, imaginário muito mais de colecção lúdico-juvenil do que marxista, só se mantém enquanto o BE não for poder. Para essa geração ver Louçã ministro era o mais triste sinal de que afinal quer eles quer o próprio Louçã tinham crescido. De que acabara aquele tempo-espaço onde continuam sempre todos eternamente jovens, aquele BE liderado pelo Louçã.

Helena Matos, no "Público" de 19 de Outubro

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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

doclisboa


Começa hoje mais uma edição do "doclisboa". Este ano o destaque vai para uma homenagem a Jonas Mekas, uma retrospectiva sobre o documentário (pós) jugoslavo e uma mostra intitulada Love Stories. Como é da praxe, não faltarei...
O programa poderá ser aqui descarregado, em formato PDF.

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O paraquedismo como uma das belas artes

Francisco Assis será o novo líder parlamentar do PS

O deputado Francisco Assis vai substituir Alberto Martins na liderança da bancada do PS. Regressado de cinco anos no Parlamento Europeu, Assis repete assim as funções que já desempenhou durante os governos de António Guterres. O nome será anunciado pelo secretário-geral socialista, José Sócrates, numa reunião com os deputados agendada para as 12.30. Francisco Assis irá depois a votos no grupo parlamentar.
Fonte: DN online

Vou tentar reconstituir a trajectória estonteante do deputado: Assis veio da gamela de Estrasburgo. Fez escala no Porto, para reabastecimento. Passou de rompante pela Guarda, lançado a grande altitude, onde convenceu algumas almas enternecidas a votarem nele. E chegou finalmente ao seu destino, como se comprova na notícia. A nomeação é a merecida "ajuda de custo" pelas duas ou três deslocações à Guarda (que maçada!). Entretanto, jurou a pés juntos que o centro da sua vida política seria no Porto. Então, nesse caso, porque não aproveitar a oportunidade para testar as virtualidades do "choque tecnológico"! Muito simples: comunicando o novo líder parlamentar com os seus pares em S. Bento, a partir da Invicta, através do "Skype", ou em sistema de videoconferência!... Agora pergunto: no meio desta dança de sinecuras, o que ganhou a Guarda? O que vai ganhar? Vale aqui o supremo acerto do adágio de Bernard Shaw (injustamente ofuscado pelo outro, mais célebre, de Churchill): a democracia é o sistema pelo qual garantimos ser governados como merecemos.

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Céline (4)

Não se atravessa a "Viagem ao fim da noite" sem passar a pente fino as gralhas da nossa existência. Dito de outro modo, sem tirar a limpo as rasuras no caderno da nossa contabilidade secreta. Um mês e pouco depois de largar amarras para este périplo, cá estou de novo. Bem quis escolher um pedaço da obra para vos presentear. Mas experimentar fazê-lo, foi como tentar retirar uma brasa de uma fogueira crepitante com as mãos. Mesmo assim, à socapa, aqui vai:
"Não somos mais do que um velho cintilar de recordações à esquina de uma rua onde quase ninguém passa". (pág. 432)

NOTA: um amigo descobriu-me há pouco um exemplar do elo perdido na bibliografia de Céline. Há coisas que não têm preço...

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Revista, nº4-5

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